Um conto para Isabela



Assim que abriu os olhos ele olhou pela janela e viu através do tecido fino da cortina as folhas que balançavam suavemente nas árvores, o céu estava azul e podia sentir a leve brisa que vinha lá de fora.
Apesar de não estar em casa, aquele quarto e cenário era um velho conhecido seu, e Artur, calculou que deveria ser cedo ainda, pois nunca conseguia dormir até tarde, apesar de seu trabalho como DJ, na única balada da cidade.
Isso fez com que ele lembrasse da briga homérica que tivera com a mãe na noite anterior e esse era o motivo de estar na casa da sua avó Balbina.
Levantou-se e foi até a cozinha, mais impulsionado pela ronco da barriga do que por vontade de conversar com alguém.

- Bom dia!!

- Bom dia, vó.

- Esta se sentindo bem?

- Estou sim, quem não deve estar é a minha mãe que me trouxe para cá no meio da noite só porque descobriu que eu estava de boa fazendo o que eu gosto de fazer.

- Artur, fazer o que você gosta sem contar para a sua mãe, não vai ser a melhor forma de fazer com que ela te entenda.

- Ah não sei não, desculpa, sei que ela é sua filha, mas quando quer ela é cabeçuda e acha que me enfiar naquele conservatório vai ser o melhor pra MINHA VIDA!! 
Eu amo música, amo tocar meu violão, mas quero a liberdade de tocar, não quero ser profissional, o que eu gosto é de produzir, fazer arranjos.
Eu não posso substituir o outro filho que ela amava tanto e que a morte levou. Eu não sou o Gustavo, e nem quero ser. Dá pra entender?
Melhor se eu tivesse morrido e ele ficado.

Ouviu-se os latidos dos cachorros e o barulho dos pneus no cascalho que ladeava a casa, Arthur não estava nenhum um pouco afim de encontrar a mãe naquele momento.
Aquela conversa com a avó e falar sobre a morte do irmão fez com que seu estômago revirasse e pensou que ele também poderia ter morrido junto com o irmão.

Pegou seu violão e saiu correndo sem nem se dar conta de onde estava indo, quando percebeu já estava próximo da velha represa, onde seu irmão encontrou o fim da vida.
Desde que, o Guto, morrera naquele lugar ele nunca mais havia ido lá  tinha pavor daquelas águas, apesar de saber nadar.
Então, ele encostou seu violão em um tronco de árvore e começou a andar em direção a água, não acreditava no que estava vendo, 

Desde o fatídico dia do acidente, em que ele sobrevivera e o irmão mais velho não, que ele nunca mais havia visto a menina dos olhos profundos e cabelos negros, que o havia salvo de morrer.
Disseram que era uma ilusão pelo trauma, que a tal menina não existia, mas ali estava ela novamente, agora não era mais uma menina e sim uma adolescente como ele.

Continuava linda como ele se lembrava.
De repente a menina pegou em sua mão e sem dizer nenhuma palavra o puxou pela ponte, começou a correr e pulou nas águas profundas da represa, levando Artur junto,
Enquanto ele descia, pensava que a menina que o havia salvo um dia agora estava tentando matá-lo, então sentiu que a mão que o segurava começou a se soltar, ela estava subindo, e como que em um despertar ele lembrou-se de bater os pés e voltou a realidade.

Quando chegou a superfície olhou em volta e estava sozinho, e pensou que era tudo um sonho. Quando começou a nadar em direção a ponte viu ela sentada sorrindo pra ele.
Artur, nadou e sentou perto da garota, que se apresentou como Isabela.
Passaram a tarde conversando, nadando e comendo os sanduíches que ela tinha em uma cesta, a tarde estava tão agradável que Artur até já havia esquecido do incidente com a mãe.
Quando Isabela, disse que precisava ir eles se despediram.

Só quando chegou em casa, Artur, lembrou que mais uma vez não sabia quem era Isabela, onde ela morava, mas ficou feliz por ela mais uma vez ter aparecido em sua vida.
Na manhã seguinte, estava novamente na represa, mas Isabela, nunca mais apareceu.

Esse conto foi escrito para o desafio imagem/palavra do grupo Café com Blog, a imagem referente ao número que escolhi é a que esta no topo da postagem.




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2 comentários

  1. Só consigo pensar que Isabela é uma sereia!!! ehehehe E que aparece quando bem quer, para quem quiser e faz uns trabalhos como salvadora de meninos de vez em quando! rsrs
    Super fofo o conto escrito para o desafio! <3
    xoxo

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  2. Fiquei querendo saber mais sobre a Isabela! x.x
    Parabéns pelo conto (:
    Paraíso da Leitura

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